The Voice Of The People

sábado, 31 de agosto de 2013

Alpha Blondy

Alpha Blondy é o nome artístico de Seydou Koné, nascido no dia 1 de janeiro de 1953 em Dimbokro, Costa do Marfim. Canta principalmente em Inglês, Francês e Dioula (sua língua nativa), além de ocasionalmente cantar em Árabe ou Hebraico. Ele bandeou-se para o lado do reggae após ouvir Bob Marley & The Wailers. As suas letras expressam fortemente atitudes e humor relacionados com a política, com discursos que foram contra o Apartheid e as brigas tribais que dominam o continente africano. Ele inventou a palavra “democrature” (a qual se pode traduzir como “democradura”, uma combinação de democracia com ditadura), para qualificar alguns governos africanos. Alpha Blondy é considerado como uma espécie de Bob Marley afro, por suas mensagens e músicas políticas, de paz e igualdade. Com certeza a história do reggae africano não seria a mesma sem ele.
Alpha Blondy é o primeiro filho de uma família de nove filhos, foi criado por sua avó, Cherie Coco, o menino ganhou dela o apelido Blondy, que vem da palavra “Bandit” e é pronunciada em francês “Bondee”. O motivo era a sua rebeldia na adolescência. Ele dizia que cresceu “entre os anciãos”, que mais tarde teve um grande impacto na sua carreira.
Mais tarde, Alpha Blondy foi juntar-se ao seu pai em Odienné, Costa do Marfim, onde passou 10 anos, vindo a frequentar a Faculdade Sainte Elisabeth, se envolvendo no movimento dos estudantes da Costa do Marfim. Aqui ele formou uma banda, mas esse passatempo afetou a sua escolaridade. Em 1972 ele acabou expulso devido a fraca assiduidade. Seus pais em seguida o enviaram para estudar em Monrovia, um país vizinho da Libéria, ele passou treze meses por lá, onde terminou os estudos e aprendeu o inglês muito bem, o que fez com que Blondy decidisse se mudar para Nova York, Estados Unidos. Ele estudou inglês no Hunter College em Nova York, e mais tarde no programa americano da Columbia University Language, ele queria se tornar um professor de inglês. Alpha Blondy teve que trabalhar em tempo integral, muitas vezes à noite.
Em Nova York, Blondy conheceu pela primeira vez o Movimento Rastafari, através de concertos de artistas jamaicanos como o lendário Burning Spear. A paixão pela música o levou a começar a cantar em alguns grupos locais. A possibilidade de gravar um disco solo apareceu quando ele conheceu um famoso produtor, Clive Hunt, que deixou Blondy cheio de esperanças, mas não cumpriu sua palavra. Eventualmente ele começou a sofrer alguns tropeços em Nova York, o cantor entrou em depressão e resolveu voltar para a Costa do Marfim, onde os problemas continuaram, mesmo perto da família, as crises nervosas o levaram a passar quase dois anos em uma clínica psiquiátrica. Alpha Blondy sofreu vários problemas psicológicos, em decorrência se envolveu no uso de drogas pesadas, esteve internado no final da década de 70, ele tentou suicídio no final de 1992 em Paris, mas pouco se sabe sobre esses problemas.
As coisas começaram a mudar no início dos anos 80, quando ele encontrou um de seus amigos de infância, Fulgence Kassi, que havia se tornado um produtor de televisão. Ele foi convidado a participar de um programa na TV, e este foi o início de sua carreira como cantor e ele passou a usar o nome “Alpha Blondy”. Essa participação o ajudou a gravar o primeiro disco, “Jah Glory” (1982), que se tornou um grande sucesso, sendo mais tarde um símbolo de resistência pelas letras sobre a violência da policia. Algumas letras foram baseadas na experiência pessoal de Blondy, por ter vivido e visto de perto a violência.
Alpha Blondy se tornou uma grande estrela em Abidjan, com o seu próprio toque africano na música reggae, o seu estilo era chamado de “a re-interpretação do reggae jamaicano” e se espalhou também pela Europa. Alpha Blondy é espiritual, político e positivo como o próprio Marley, gravou até um cover de “War” (La Guerre), canção famosa de Bob Marley. Ele não para de progredir, a fim de alcançar mais pessoas com a sua mensagem, que ele canta em vários idiomas: a sua língua nativa – dioula, inglês, francês, baoule, árabe, hebraico. Mais tarde ainda traria novos instrumentos para sua marca de reggae, como o violino e o violoncelo.
Após o sucesso de um EP intitulado “Rasta Poué”, com quatro canções, que colocou um hit na Europa, ele se sentiu encorajado em sair novamente da África. O seu destino foi Paris, onde ele assinou com a “Pathé-Marconi” (EMI) e gravou o seu segundo disco, “Cocody Rock” (1984). A faixa titulo do álbum foi gravada na Jamaica com a banda de Bob Marley: The Wailers.
Depois de uma turnê, Blondy retornou para casa e dedicou-se a produção de um novo disco, “Apartheid is Nazism” (Apartheid é Nazismo), que saiu em 1985. Este álbum foi mais politicamente comprometido do que nunca, é uma chamada para o fim do Apartheid e a liberdade para todos, ainda com a canção “Jesus Come Back”, em que tratava de assuntos místicos.
Em 1986, Alpha Blondy gravou sua obra-prima, “Jerusalem”, no lendário “Tuff Gong Studios” na Jamaica e com a banda de Bob Marley, The Wailers. Blondy tentou promover a unidade entre as religiões do Islã, Judaísmo e Cristianismo. Em um concerto para muçulmanos causou uma polêmica e críticos o chamaram de provocador, o cantor se defendeu dizendo que “acreditava ter uma missão pessoal de restaurar a harmonia entre as religiões”. Ele tirou os seus argumentos e inspiração de seu próprio conhecimento diverso na Bíblia, Alcorão e o Torah. Ainda nesse ano ele cantou em hebraico durante um concerto no Marrocos.
Em 1987, Alpha Blondy lançou seu álbum “Revolution”, que tinha um som mais leve, canções mais melódicas, com violinos e violoncelos. As criticas vieram pesadas em cima de uma faixa, “Jah Houphouët Parle”, que durava mais de dez minutos, e trazia o discurso do novo presidente da Costa do Marfim, com o mínimo de ruído por traz do discurso.
Apesar de dois bons meses de turnê nos Estados Unidos, uma segunda turnê pela França foi cancelada devido um impasse entre ele e o contratante, que dizia que Blondy sempre atrasava os shows, e ele decidiu voltar para casa. Blondy passou os anos entre 1987 e 1989 gravando e fazendo concertos em Abidjan, lá lançou um novo disco, “The Prophets”, desta vez independente, sem a gravadora Pathé-Marconi, que ele acreditava negligenciar o mercado africano. Outro disco promovido por ele nesse período sem a gravadora da qual estava se distanciando, foi “SOS Guerre Tribale”, e seu sucesso se restringiu ao continente de origem, mais isso não ia parar Blondy, que em 1991 retornou à Europa.
O retorno ao mercado internacional foi em grande estilo, com o disco “Mesada” em 1992. O novo álbum contou com a ajuda de lendas musicais, com Bocana Maiga e o produtor de reggae Dennis Bovell. O álbum com seu hit single “Rendez Vous”, foi um enorme sucesso, lançado em 50 países, que mais tarde recebeu Disco de Ouro Duplo em Paris, o primeiro de Alpha Blondy.
Após a longa e cansativa turnê pela Europa, Blondy entrou em uma grave crise de depressão e foi internado em uma instituição de psiquiatria para ajuda ao tentar suicídio. No final de 1993, já recuperado, o músico retornou a profissão e gravou o álbum “Dieu” (Deus), onde ele aparece mais espiritual e religioso, em faixas como “Heal Me”, que fala sobre sua doença e recuperação. O tratamento de Blondy continuou, devido os problemas psicológicos, até a sua volta em 10 de dezembro de 1994, no aniversário de um ano em memória do falecido presidente da Costa do Marfim, Houphouët-Boigny.
Em 1996, com uma compilação contendo grandes sucessos de Alpha Blondy, ele voltou às paradas musicais da Europa, e voltou também aos estúdios para gravar o seu novo álbum, “Grand Bassan Zion Rock”, cantado em varias línguas: francês, inglês, árabe e dialetos africanos.
Após dois anos em Paris, em 1998 Blondy voltou a sua terra natal. Com base em seu sucesso internacional, ele decidiu criar a sua própria gravadora, desde então gravou álbuns e singles como, “Yitzhak Rabin” (1998), em memória do primeiro-ministro israelense que foi assassinado em 1995 (este foi acompanhado por mais uma turnê cansativa pela Europa). Lançou o single “Jounaliste en Danger”, do álbum seguinte, “Elohim” (1999).
Em 2002, Alpha Blondy comemorou 20 anos como um artista de gravação, com o lançamento do ótimo álbum “Merci”, que lhe rendeu uma indicação ao Grammy Awards em 2003, para “Melhor Álbum de Reggae”. No entanto, devido à situação política em seu país de origem, Costa do Marfim, ele foi incapaz de atender pessoalmente a cerimônia de premiação. Em 2003, Alpha Blondy fez três shows no Brasil para a divulgação do disco “Essential 2003”, uma coletânea.
Em 2005, foi lançado Akwaba: The Best Of, reunindo grandes sucessos da carreira do cantor e participações de nomes como Laster Bilal, Magic System, Neg Morrons, UB40, Cocody Rock e Mokobé. Destaque para as novas versões de faixas como “Sweet Fanta Diallo”, “Cocody Rock” e “Yana De Fohi”.
Em julho de 2007 foi lançado o álbum “Jah Victory”. No álbum tocam Sly Dunbar na bateria e Robbie Shakespeare no baixo, bem como Tyrone Downie nos teclados, anteriormente de Bob Marley & The Wailers. “Jah Victory” é uma homenagem ao acordo de paz que foi alcançado e implementado na Costa do Marfim em março de 2007. Entre as canções de sucesso está a belíssima “I Wish You Were Here”.
No dia 19 de julho de 2009, Alpha Blondy realizou um concerto no Central Park de Nova York, diante de uma multidão de muitos nativos africanos, jamaicanos e americanos. Em 13 de junho de 2010, foi realizado um concerto diante de outra multidão, dessa vez realizado na Costa do Marfim, sua terra natal, para celebrar a paz e a unidade do país. Um incidente aconteceu nesse show e pelo menos 20 pessoas ficaram feridas, das quais 2 morreram. No mesmo mês em 27 de junho, ele fez outro grande show em Parkpop, Haia, Holanda. Onde substituiu Snoop Dogg e Beenie Man. Alpha Blondy também foi uma importante influência para outros artistas do reggae africano.
Após quatro anos do triunfal “Jah Victory”, Alpha Blondy lançou em abril de 2011 o álbum “Vision”, mantendo-o nos trilhos da vitória. O álbum é o protótipo inspirado do artista que não adormece a sombra do sucesso, e procura recriar-se a cada temporada em estúdio. A soma de instrumentos africanos como a “Kora”, o devolve a um espaço de encontro com a sua terra, que na verdade ele nunca abandonou, o álbum é uma mescla de tradição com modernidade, uma obra em que se pode confiar e de consistência plena em uma discografia gorda, que recentemente ganhou mais um titulo, o álbum “Mystic Power”.
O álbum foi lançado em março de 2013, trazendo o som clássico de Alpha Blondy com um toque a mais de modernidade em algumas faixas, em outras um reggae mais leve como na música “Ouarzazate”, ainda com de uma versão de “I Shot The Sheriff” na versão “J’ai tué Lê Comissaire”, já que Alpha Blondy não esconde a sua inspiração e admiração pelo som de Bob Marley & The Wailers.
Alpha Blondy nasceu de uma mãe muçulmana e de um pai cristão, foi criado por uma avó que lhe ensinou a respeitar e amar a todos. Alpha Blondy respeita todas as religiões e espiritualidade, que podem ser ouvidas em músicas como, “God is One” e “Jerusalem”, onde ele cantou pela unidade entre todas as religiões e pessoas, em 1986. Seydou Koné (Alpha Blondy) foi nomeado embaixador das Nações Unidas de Paz para a Costa do Marfim em 2005. Ele fez grandes esforços para conseguir uma solução pacífica para a divisão política e física de seu país, que foi resultado de uma tentativa de golpe em 2001. Em março de 2007, um acordo de paz foi assinado e implementado, devido ao trabalho árduo de muitas pessoas, incluindo Alpha Blondy.
Seu trabalho se estende a recém criada instituição que não tem fins lucrativos, não governamental e não de caridade política, a “Alpha Blondy Glory Foundation”, que deliberadamente trabalha para acabar com a injustiça social e a pobreza, dando as pessoas às ferramentas que elas precisam para ajudarem a si mesmas. A fundação se esforça para criar e implementar programas em nível de aldeia, tais como o “Programa de Micro Empréstimo Auto Suficiência para Mulheres”, que ensina mulheres que cuidam de órfãos a iniciarem e gerenciarem seu próprio negócio, para melhor sustentar as suas famílias. Outros projetos como o “Camp Retreat Tafari-Gênesis para a Infância” (Costa do Marfim e Burkina Faso), que especialmente espera trazer alegria e esperança as crianças que foram afetadas por guerras civis, ex-crianças soldados, e aqueles que sofrem de doenças crônicas e que tem a vida em risco, como anemia falciforme, malária, asma, etc.
Quando se fala em Alpha Blondy, as pessoas pensam geralmente em sua música, que de fato existe desde 1980, onde ele escreveu pelo menos 18 álbuns em mais de 200 títulos. Isso por si só indica o grande valor que ele representa para os seus fãs pelo mundo. Mas Alpha Blondy não é só mais uma estrela da Costa do Marfim ou da música reggae, mas uma mega estrela internacional por causa da sua luta pela paz, liberdade e unidade em todo o mundo. Alpha Blondy participou de muitos concertos humanitários e de caridade, como concertos no Senegal em março de 2006 para a erradicação da malária na África (Onde ele apareceu juntamente com outras celebridades). Ele tem feito muito, mas muito desse tipo de trabalho na Costa do Marfim, especialmente em seu concerto anual gratuito na praia de Bassan, chamado “Party”.
Alpha Blondy construiu uma obra de respeito, mesmo sofrendo de sérios problemas psicológicos ele se mostrou forte e vencedor, encontrando na música uma forte arma contra a violência e desigualdade. Seu reggae africano está há mais de três décadas percorrendo o mundo com mensagens de paz e denuncias de guerras civis na África. Alpha Blondy é uma estrela do reggae de primeira magnitude.

“Minhas canções são realmente todas canções de amor. Quando eu falo sobre Deus, eu converso sobre o amor divino, quando eu falo sobre politicagem, tendo vindo junto fazer mudanças para a geração futura, além disso é um caminho para a propagação do amor. Eu penso que o mundo precisa, e nós temos que dar chance as nossas crianças – por uma geração futura” – “O que a geração futura da África precisa, é uma unidade além das considerações tribais”. – Alpha Blondy

Fonte:
www.discodigital.sapo.pt/new.asp?id_news=42605

Um comentário:

  1. Muito bom ,pra mim a.melhor istoria ja contada sobre o reggae,parabêns

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